Um
estudo publicado pelo Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN) no início deste
ano aponta que atualmente há 16 localidades indígenas no Espírito Santo.
Dessas, 13 (81,2%) estão inseridas majoritariamente em Terras Indígenas, que
são espaços oficialmente demarcados. A pesquisa revelou ainda outros dados
relevantes como gênero, distribuição geográfica, escolaridade e participação
política desses povos, além de apresentar informações sobre as etnias indígenas
que habitam o estado e a sua distribuição geográfica. Composta por 14.410 pessoas, a população indígena do
Espírito Santo corresponde a 0,4% da população total do estado e conta com um
número expressivo de mulheres (51,1%). Grande parte dos indígenas capixabas
está concentrada no município de Aracruz, com 51,5% (7.425 pessoas), em 13
aldeias distintas.
Para manter a tradição ancestral viva, as comunidades
da região têm buscado compartilhar os saberes tradicionais por meio do
etnoempreendedorismo, uma forma de empreendedorismo praticado por grupos
étnicos e comunidades tradicionais com o objetivo de gerar renda, valorização
cultural e autonomia. Localizada
no distrito de Santa Cruz, em Aracruz, a Aldeia Boa Esperança, do povo Guarani,
é um belo exemplo dessa vertente do empreendedorismo, que abre a oportunidade
para a prática de uma outra atividade de igual valor: o turismo de experiência.
Lá, é possível vivenciar um pouco da cultura indígena, conhecer a sua história,
participar de atividades tradicionais e degustar um almoço tipicamente
indígena. É também durante o passeio que os visitantes têm a oportunidade de
conhecer o artesanato indígena, que hoje representa a principal fonte de renda
da etnia Guarani.
“Hoje, com a visibilidade que
os povos indígenas vêm ganhando, nós estamos conseguindo vender mais o nosso
artesanato. E não somente vender, mas também transmitir a importância do
empreendedorismo indígena para todos, que vai além de uma ajuda. É uma forma de
incentivar as pessoas a produzirem cada vez mais a sua arte sem precisar de
sair da sua aldeia para buscar um trabalho fora daqui, principalmente as
mulheres, que têm mais dificuldades para encontrar emprego por conta da
maternidade”, explica Ará Martins.
Ará Martins é também coordenadora do projeto Nhãdeva
Ekuéry, iniciativa que busca difundir a cultura dos povos originários para além
da comunidade indígena. Ela, que teve o primeiro contato com o empreendedorismo
quando ainda era adolescente – aos 15 anos, deixou a escola formal e criou o
Nhãdeva Ekuéry – falou sobre a importância da participação no ESX para levar o
conhecimento sobre a cultura indígena às mais de 20 mil pessoas que
participaram da feira. “Foi muito importante ter aquele lugar de fala e poder
mostrar um pouco sobre a nossa história e sobre como tudo funciona de fato. Por
mais que hoje em dia nós tenhamos mais espaço, ainda é muito difícil das
pessoas respeitarem a nossa cultura. É do conhecimento que nasce o respeito”.

